<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945</id><updated>2012-02-08T14:55:52.561-08:00</updated><title type='text'>Pisando em Uvas</title><subtitle type='html'>Enologia para Poetas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>37</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-2206951789953487960</id><published>2011-04-09T10:08:00.000-07:00</published><updated>2011-04-09T12:44:32.262-07:00</updated><title type='text'>De como acabei seduzido pela negra Fernet Branca</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4swmjnXr-dY/TZ7eqLrVqXI/AAAAAAAAAPA/C6isU4hcDCk/s1600/fernetmaster_edited-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-4swmjnXr-dY/TZ7eqLrVqXI/AAAAAAAAAPA/C6isU4hcDCk/s320/fernetmaster_edited-1.jpg" width="217" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O encontro deu-se assim: diante do balcão do único bar situado na praça central da aldeia, pedi à atendente pela tradicionalíssima fernê bianca. Ela olhou de modo esquisito e serviu dois dedos de um líquido escuro e espesso onde boiava uma pedra de gelo. Recusei e insisti com o miserável italiano de que disponho que gostaria mesmo era de uma fernê bianca. A garota deixou o líquido negro sobre o balcão, foi para o fundo do bar e retornou com a garrafa da qual leu, com leve irritação, os dizeres do rótulo: Fernet Branca, capice, Fernet Branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos idos de 1845, o farmacêutico milanês Bernardino Branca misturou destilado de uvas a uma infusão contendo todas as ervas de que dispunha na farmácia, dizem que mais de 40. Inicialmente lançado como xarope contra cólicas menstruais, constipação intestinal e complicações digestivas, o elixir de alto teor alcoólico acabou se destacando mesmo pela propriedade de curar ressaca. Semelhante cura semelhante, dizia Samuel Hahnemann o fundador da Homeopatia e, deste modo, o digestivo ganhou o mundo, apesar do gosto extremamente amargo e do aroma de antiséptico bucal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro gole você descobre estar diante da pior bebida do mundo. O segundo reforça essa constatação. Mas, se você for persistente e chegar ao terceiro gole, vai se dar conta de que já está física e &amp;nbsp;e emocionalmente dependente do genial licor produzido nas barbas da Barbera, a consagrada uva do piemonte. &amp;nbsp;Genial por trazer em si, ao mesmo tempo, o veneno, álcool a 45 graus, e a cura, 45 ervas aromáticas, muitas delas regenerativas da função hepática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seduzido e embriagado pela longa e escura noite espagírica perdi, além da vontade de beber vinho, amigos, emprego e boa parte do fígado. &amp;nbsp;Mas, se a Fernet é negra, &amp;nbsp;a vitis é vinífera e Baco sempre conduz ao caminho das videiras, ainda que por uvas tortas. Assim, retomei o gosto pelo vinho.&amp;nbsp;Não por intervenção direta do senhor das uvas, é verdade. Mas por intermédio de outro santo espírito, a Fada Verde que, numa elevada conversa diante de uma garrafa de Absinto 72 graus, citou Buda e me apontou o caminho do meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madame B. não chegou a terminar o primeiro gole e, lúcida, mantém sobre a negra Fernet Branca a primeira impressão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-2206951789953487960?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/2206951789953487960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=2206951789953487960' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/2206951789953487960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/2206951789953487960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2011/04/de-como-acabei-seduzido-pela-negra.html' title='De como acabei seduzido pela negra Fernet Branca'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4swmjnXr-dY/TZ7eqLrVqXI/AAAAAAAAAPA/C6isU4hcDCk/s72-c/fernetmaster_edited-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-1992359385765832301</id><published>2009-03-01T16:43:00.001-08:00</published><updated>2009-03-05T06:16:20.618-08:00</updated><title type='text'>Da Frugalidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/SasvOjlp5XI/AAAAAAAAALE/BeCXxFIcQgY/s1600-h/frugalidade2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308388512904111474" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 241px; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/SasvOjlp5XI/AAAAAAAAALE/BeCXxFIcQgY/s320/frugalidade2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/Sasr6qkOxDI/AAAAAAAAAK8/0xWAqq6OrSM/s1600-h/frugalidade.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Feliz foi Meneceu. Numa tarde ensolarada o carteiro entregou em sua residência, na capital da Magna Grécia, uma carta de seu amigo Epicuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pergaminho, hoje intitulado Carta sobre a Felicidade, o filósofo nascido em Samos confiava ao amigo ateniense os segredos para se apreciar a boa mesa e os demais prazeres da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o grande mestre filósofo, muitas vezes mal interpretado e evocado em vão pela insaciável sociedade de consumo, prazer não é algo que deva ser buscado desmesuradamente e a todo custo. Isso só vai levar à dor, frustração e ao sofrimento. Para Epicuro, a idéia de prazer é, exatamente, viver sem dor, frustração e sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia Epicuro a Meneceu:&lt;br /&gt;" Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta. Em outras palavras: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem tem fome."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei de Epicuro quando comprei o vinho de colono Telmo e Sônia, produzido de modo artesanal na Serra Gaúcha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de abrir a garrafa, tive o cuidado de pensar na melhor harmonização para tal vinho. Preparei um farto sanduíche de mortadela e servi o líquido de cor violeta vibrante em copo de geléia de mocotó, repleto até a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidei Madame B. para o repas mas esta, alheia à ética do prazer de Epicuro, declinou sem explicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sós, e em profundo silêncio, fui comprovando de modo empírico os ensinamentos de Epicuro a Meneceu. Ao fim da garrafa, tendo atendidas as necessidades básicas do corpo, descobri que o espírito também havia sido satisfeito. E fui tomado por uma imensa e absurda felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-1992359385765832301?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/1992359385765832301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=1992359385765832301' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/1992359385765832301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/1992359385765832301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2009/03/da-frugalidade.html' title='Da Frugalidade'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/SasvOjlp5XI/AAAAAAAAALE/BeCXxFIcQgY/s72-c/frugalidade2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-3863354867460961661</id><published>2008-11-25T16:08:00.000-08:00</published><updated>2008-11-25T16:35:40.967-08:00</updated><title type='text'>Metáforas. Ou, como não me tornei um sedutor falando de vinhos.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/SSyUJ3JUTcI/AAAAAAAAAHY/TjaJerfuXgI/s1600-h/metafora.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272752160886771138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 222px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/SSyUJ3JUTcI/AAAAAAAAAHY/TjaJerfuXgI/s320/metafora.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dizem que vinho é poesia. Deve ser. Não o fosse, como explicar a profusão de aromas, cores e sabores que dele se desprendem em toda a sorte de análises, resenhas, notas e fichas de degustação criadas para transformar o amante do vinho naquele que pretende ser muito mais do que lhe confere, em significado e posição, a soma dos radicais que lhe restringem, o enófilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dizer da cor de ouro escuro de jóia antiga recém exposta ao sol, do aroma de feno cortado numa clara manhã de outono ou do sabor potente de taninos estruturados e bem domados como cavalos de raça em selas inglesas? Metáforas, diria o leitor. Inofensivas metáforas. Até ai tudo bem, não fossem as mesmas metáforas aglutinadoras de uvas e estrelas dos poemas de Neruda, substâncias perigosamente corrosivas se manipuladas sem a devida experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo parecia ser uma inocente reportagem sobre a Toscana. Não me lembro do autor, nem do que dizia. Recordo apenas da metáfora assassina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;... convém experimentar os saborosos supertoscanos da Casa Antinori, que se destacam por seus portentosos taninos atléticos e musculosos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Interrompi imediatamente a leitura e fui procurar o apoio de Madame B. Esta, para meu maior espanto, não apenas concordou com o autor, como também considerou bastante pertinente e sugestiva tal definição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso a você, querido leitor, que esgotei por completo meu arsenal de idéias sedutoras a respeito do vinho. Partidário dos populares e esqueléticos beaujolais, tenho perdido noites de sono pensando no inevitável momento em que, numa mesma mesa, terei entre mim e Madame B. um nobre italiano superdotado de taninos halterofilistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-3863354867460961661?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/3863354867460961661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=3863354867460961661' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/3863354867460961661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/3863354867460961661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2008/11/metforas-ou-como-perdi-meu-poder-de.html' title='Metáforas. Ou, como não me tornei um sedutor falando de vinhos.'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/SSyUJ3JUTcI/AAAAAAAAAHY/TjaJerfuXgI/s72-c/metafora.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-1190539108577528374</id><published>2008-03-02T18:37:00.000-08:00</published><updated>2008-03-10T18:08:36.841-07:00</updated><title type='text'>O bom vinho não precisa de rótulo</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/R8tkxGZsDkI/AAAAAAAAAG8/_osAl1fIVlQ/s1600-h/vinhoglynn.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5173339391659871810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/R8tkxGZsDkI/AAAAAAAAAG8/_osAl1fIVlQ/s400/vinhoglynn.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os americanos costumam dizer que, se você quer que uma coisa saia bem feita, faça você mesmo. Assim, os inventores do do-it-yourself criaram sua receita de como elaborar um super californiano, digamos assim, em apenas três etapas. Primeiro: lance ações em Wall Street. Segundo: escolha uma celebridade para dar nome ao vinho e enfeitar o rótulo. Terceiro: compre uma vinícola no Napa Valley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é fácil encontrar nas boas casas do ramo Marilynn Merlots, Elvis Cabernets, Coppola Chardonnays e os não tão coloridos, mas não menos célebres, varietais da família Mondavi. Difícil mesmo é encontrar um autêntico home made wine nascido e criado nas férteis terras do Napa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metade das grandes vinícolas da Califórnia começou como vinicultura de subsistência, produzindo Zinfandels no quintal de casa para acompanhar o perú de ação de graças. O negócio prosperou graças ao terroir e ao empreendedorismo estadunidense. Alguns poucos produtores, no entanto, continuaram fazendo vinhos à moda antiga. Com carinho, paciência e o mesmo cuidado com que as avós daquela região assavam tortas de maçã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas a indicação 02 CAB escrita com esferográfica azul sobre a parte visível da rolha. Ganhei as duas garrafas de meu amigo Glynn Baker, criador, junto com sua esposa, deste autêntico californiano nascido e criado no mesmo código postal dos Opus One e dos Caymus, seus mais renomados vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observando a garrafa nua, tive vontade de vestí-la com uma gravura de Picasso e dar-lhe um nome qualquer como Mouton ou Rothschild. Bobagem, pensei. Como bem dizem os franceses, o bom vinho não precisa de rótulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-1190539108577528374?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/1190539108577528374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=1190539108577528374' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/1190539108577528374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/1190539108577528374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2008/03/o-bom-vinho-no-precisa-de-rtulos.html' title='O bom vinho não precisa de rótulo'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/R8tkxGZsDkI/AAAAAAAAAG8/_osAl1fIVlQ/s72-c/vinhoglynn.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-4687438005031769427</id><published>2007-11-14T15:16:00.001-08:00</published><updated>2007-11-15T05:00:16.833-08:00</updated><title type='text'>Aquela noite no Café Anglais</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RzuCeIQpKbI/AAAAAAAAAGs/xXlodjwHrBQ/s1600-h/cafe+anglais.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132839654443788722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RzuCeIQpKbI/AAAAAAAAAGs/xXlodjwHrBQ/s400/cafe+anglais.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Na noite de 7 de junho de 1867, Alexandre II, tsar da Rússia, Alexandre III, seu filho e sucessor, e Guilherme I, rei da Prússia e futuro kaiser do império alemão, protagonizaram o maior espetáculo gastronômico de que se tem registro nos anais da História. O palco de tal acontecimento foi o mítico Café Anglais, em Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o jantar, que ficaria entronizado como o &lt;em&gt;Banquete dos Três Imperadores,&lt;/em&gt; foram preparados suflês de creme de galinha à moda do Reno, filés de linguado à veneziana, ensopados de galinha à portuguesa, beringelas à espanhola, lagosta à moda de Paris e ortolans, pequenos passarinhos, à moda de Rouen. A tradução em português fica a dever à magnitude do menu cujo texto original, por si só, justificaria a emergente Comuna de Paris e a precedente Revolução Russa. Principalmente pelos vinhos servidos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Vins&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Madère retour des Indes, 1846&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Xerès, 1821&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Chateau Yquem, 1847&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Chateau Margaux, 1847&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Chambertin,1846&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Chateau Latour, 1847&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Chateau Lafite, 1848&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Café Anglais foi citado no cinema em Festa de Babette. Após preparar um banquete digno de reis para um pequeno grupo de habitantes de uma vila camponesa, a chef Babette, quando perguntada sobre como foi possível consumir um prêmio de loteria em uma única noite, responde: " &lt;em&gt;é o preço de um jantar para dez pessoas no Café Anglais."&lt;/em&gt; Emblemático de seu tempo, o Café Anglais desapareceu junto com a época da qual foi protagonista. Foi demolido em 1913. Estive lá duas semanas atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mais se localizava no &lt;em&gt;Boulevard des Italiens&lt;/em&gt;, mas na pequena vila incrustada na Serra da Mantiqueira. Os chefs não mais eram Adolphe Dugléré e sua promissora assistente Babette, mas Maria Olimpia Fortes e Frederic Silva. De resto, tudo permanecia igual. A sopa de camarões acima veio acompanhada de um jerez amontillado. Fazendo par com o Clos Vougeot da Borgonha ali do lado, codornas recheadas com foie gras e dispostas em pequenos sarcófagos à moda do Vale dos Reis do Egito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda seriam servidos blinis que se desmanchavam na boca feito hóstias, sobremesas feitas com amoras do pé ali do lado e um destilado de champagne, este último sob a noite estrelada. A confraternização ainda se estenderia abóbada celeste adentro. Mas não fui até o momento em que os sisudos e sofridos camponeses se auto-proclamam reis. Recolhi-me mais cedo. O sol não tardaria a raiar e alguém ali precisava tomar conta do vasto Império.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-4687438005031769427?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/4687438005031769427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=4687438005031769427' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/4687438005031769427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/4687438005031769427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/11/aquela-noite-no-caf-anglais.html' title='Aquela noite no Café Anglais'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RzuCeIQpKbI/AAAAAAAAAGs/xXlodjwHrBQ/s72-c/cafe+anglais.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-725761012556310957</id><published>2007-10-31T16:26:00.001-07:00</published><updated>2007-11-01T05:33:45.203-07:00</updated><title type='text'>O primeiro jantar na casa da mulher amada</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RykPTTVBgQI/AAAAAAAAAF0/6mzj54FK_l4/s1600-h/liebfrau.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5127646475018404098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RykPTTVBgQI/AAAAAAAAAF0/6mzj54FK_l4/s320/liebfrau.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vinhos lendários não são privilégio apenas dos povos europeus. Os brasileiros também ostentamos em nosso breve curriculum de degustadores nomes míticos que, ainda que tenham caído de moda, ocupam lugar de honra no inconsciente coletivo enológico nacional. Por isso, não se faz necessário recorrer a Jung ou Freud para se descobrir, por trás da máscara de bebedores da tradição da Borgonha ou da modernidade supertoscana, o arquétipo fundador do leite da mulher amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Liebfraumilch representou mais do que um vinho para a cultura enológica brasileira, foi um rito de passagem. Da infância para a adolescência, com suavidade, doçura e a mesma ingenuidade. Produzido na Alemanha apenas para exportação, o doce vinho suave do Reno, considerado em seu país de origem como de baixa qualidade, conquistou o mercado brasileiro na qualidade de importado e passou a se destacar na prateleira dos supermercados, não apenas pelo nome, mas também pela garrafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o mítico vinho da garrafa azul circulavam várias lendas. Uns diziam que era de alta qualidade pois ostentava o selo Qualittatswein, outros afirmavam que era produzido no norte da África e seria envasado em azul turquesa para justificar o preço que se pagava por ele. Fato é que o comerciante que teve a idéia de trazer o vinho e mudar a cor da garrafa criou fama, fortuna e a maior importadora do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que jantei na casa da minha namorada levei um Liebfraumilch. Há pouco, dei com esse garrafa azul safra 2003. Achei que não poderia haver no mundo vinho com a pior relação custo x benefício, mas estava enganado. Diante do carrinho de compras, a mulher amada perguntou o porquê daquele vinho. Expliquei. Passados dezoito anos, tinha daquele primeiro a impressão de um Montrachet.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-725761012556310957?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/725761012556310957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=725761012556310957' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/725761012556310957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/725761012556310957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/10/o-primeiro-jantar-na-casa-da-namorada.html' title='O primeiro jantar na casa da mulher amada'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RykPTTVBgQI/AAAAAAAAAF0/6mzj54FK_l4/s72-c/liebfrau.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-6624162732745472655</id><published>2007-08-10T18:09:00.000-07:00</published><updated>2007-09-06T17:28:54.748-07:00</updated><title type='text'>Na adega do diabo, sob as bençãos de Don Melchor</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/Rr0Mya-5YZI/AAAAAAAAAB4/dOoe4izZakI/s1600-h/casillero.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097244413629391250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/Rr0Mya-5YZI/AAAAAAAAAB4/dOoe4izZakI/s400/casillero.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; No ano de 1883, Don Melchor de &lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Concha&lt;/span&gt; y Toro regressou da França com algumas mudas de parreira na bagagem. Tão logo chegou à propriedade situada próxima a Santiago do Chile,&lt;/span&gt; tratou de plantá-las no vasto pomar ao pé dos Andes. As jovens videiras cresceram, frutificaram e permitiram à Casa de Concha y Toro fabricar seu próprio vinho. Para proteger tal patrimônio, Don Melchor guardou seu tesouro no porão de sua residência e, com o intuito de espantar visitantes mal intencionados, espalhou pela região que, por trás daquelas portas se encontrava o inferno e aquele que por ali se aventurasse seria recebido por el diablo em pessoa. Só que essa é a história oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia-se à época, que Don Melchor produzia vinhos de qualidade e que estes eram armazenados no porão da residência dos Concha y Toro. Mas também não era segredo o fato de que o nobre nutria grande simpatia por uma sobrinha, a bela e fogosa Doña Amelia. Também não haviam de passar despercebidos os estranhos ruídos - e gemidos - que vinham do porão nas noites em que, coincidentemente, Doña Amelia por ali pernoitava. Para que tal mistério não passasse sem explicação, foi criado o mito de que, naquele subterrâneo, não se escondiam o Toro de Don Melchor nem a Concha de Doña Amelia, mas os vinhos do inominável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou e a nobreza de Don Melchor reside hoje num dos grandes Cabernet Sauvignon do Chile, o corpo da fogosa Amelia chega até nós por meio de um dos melhores Chardonnays do continente, e o tal Casillero del Diablo hoje pode ser encontrado em qualquer supermercado. No Chile, é verdade, não dão grande coisa por ele. Ao contrário de Don Melchor e Amelia não se tem em grande conta o Casillero. Apesar de ser este o vinho servido àqueles que visitam à Casa Concha y Toro, é considerado um vinho menor. Pode ser. Para eles. Porque este Casillero Carmenere 2005 foi uma grande surpresa. E recebeu análise à altura nos blogs &lt;a href="http://http://vinhoparatodos.blogspot.com/"&gt;Vinho para Todos&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://http://www.vivinhos.blogspot.com/"&gt;Vivinhos&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.levinaublog.blogspot.com/"&gt;Le Vin au Blog&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmenére é aquela uva que foi dada por extinta e, se hoje está mais viva do que nunca e fazendo bons vinhos varietais, foi graças aquele punhado de mudas que Don Melchor trouxe na bagagem. No meio delas se escondia a última Carmenére. Que vingou, cresceu e frutificou e deu vinhos como se Cabernet Franc fosse. Foi preciso que um enólogo francês a reconhecesse e trata-se de reabilitá-la. A singela Carmenére. Essa nobre uva bastarda que agora emerge, não das cinzas do inferno, mas da bem cuidada produção dos Concha y Toro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-6624162732745472655?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/6624162732745472655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=6624162732745472655' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/6624162732745472655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/6624162732745472655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/08/na-adega-do-diabo-com-as-benos-de-don.html' title='Na adega do diabo, sob as bençãos de Don Melchor'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/Rr0Mya-5YZI/AAAAAAAAAB4/dOoe4izZakI/s72-c/casillero.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-799881854889681993</id><published>2007-06-03T08:43:00.000-07:00</published><updated>2007-06-03T17:08:05.766-07:00</updated><title type='text'>A incrível história do homem que transformou vinho em água</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RmLiQD8z-_I/AAAAAAAAABw/TeAiaNPRKnU/s1600-h/Ã¡gua+em+vinho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071864895938755570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RmLiQD8z-_I/AAAAAAAAABw/TeAiaNPRKnU/s400/%C3%A1gua+em+vinho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Na cada vez mais complexa liturgia do vinho, Robert &lt;em&gt;the wine advocate&lt;/em&gt; Parker opera milagres. Reza a lenda que Robert &lt;em&gt;the wine apostle&lt;/em&gt; Parker, contra a unânime opinião de todos os críticos e especialistas franceses, qualificou como "soberba" a obscura safra de 1982 de Bordeaux. Quando estes vinhos atingiram o estágio de prontos-para- beber, o mundo calou-se de espanto diante da revelação proporcionada por aquelas garrafas. Confirmada a profecia, todas as garrafas que os dedos de Robert &lt;em&gt;midas&lt;/em&gt; Parker passaram a tocar  desde então transformaram-se imediatamente em ouro para seus produtores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a maior das façanhas atribuídas a Robert &lt;em&gt;the father, the son, and the holy ghost&lt;/em&gt; Parker ainda estaria por vir. A Robert &lt;em&gt;jesus&lt;/em&gt; Parker é atribuída a responsabilidade de ter ensinado os americanos a beber vinho. O que, considerando a dimensão e a sede do mercado norte-americano, equivale à reversão do bíblico milagre da transformação da água em vinho operada por ocasião das bodas de Canaã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que Robert Parker andou lendo este blog. Só encontro esta explicação para a recente coincidência de opiniões entre o Santo e este pobre pecador que vos escreve. Em entrevista à imprensa brasileira, Robert Parker andou declarando que o vinho bom é aquele que você gosta, que ótimos vinhos encontram-se em todas as partes do mundo e que, ora vejam, a razão para que se pague mais de 100 dólares por um vinho não é outra senão a de adquirir a experiência necessária para identificar os maravilhosos vinhos que situam-se na faixa de 15 a 35 dólares. Touché.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recém-convertido ao inconsciente coletivo enológico mundial, junto-me à legião de seguidores do maior dos profetas. Como testemunha fiel que sou, declaro, em pleno juízo, que Robert &lt;em&gt;amém&lt;/em&gt; Parker já degustou de tudo, Robert &lt;em&gt;amém&lt;/em&gt; Parker tudo sabe, tudo ouve, tudo vê, Robert &lt;em&gt;amém&lt;/em&gt; Parker multiplicou os pães, Robert &lt;em&gt;amém&lt;/em&gt; Parker andou sobre as águas, Robert &lt;em&gt;amém&lt;/em&gt; Parker ressuscitou Lázaro, Robert &lt;em&gt;amém&lt;/em&gt; Parker...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-799881854889681993?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/799881854889681993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=799881854889681993' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/799881854889681993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/799881854889681993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/06/incrvel-histria-do-homem-que.html' title='A incrível história do homem que transformou vinho em água'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RmLiQD8z-_I/AAAAAAAAABw/TeAiaNPRKnU/s72-c/%C3%A1gua+em+vinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-8325816658247886789</id><published>2007-05-23T10:57:00.000-07:00</published><updated>2007-09-06T17:38:42.772-07:00</updated><title type='text'>O vinho de 3 milhões de dólares</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RlSHdZhxwSI/AAAAAAAAABo/uTbcp7ojzYQ/s1600-h/losvascos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067824419837165858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RlSHdZhxwSI/AAAAAAAAABo/uTbcp7ojzYQ/s400/losvascos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; Em 1787, o luxo da corte de Luís XVI e Maria Antonieta arrasavam o império francês, Mayer Amschel Rothschild iniciava a construção do maior império financeiro mundial e a idéia de mercado não era diferente de uma feira local. Nos campos arrasados pela fome, mesmo antevendo a revolução que mudaria os rumos da França e do velho continente, as uvas de Bordeaux seguiam seu inexorável destino: as barricas de carvalho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 220 anos escondida no porão do chateau, tendo sobrevivido a uma revolução francesa, duas guerras mundiais e à voracidade de um mercado que se converteu em uma grande feira mundial, uma garrafa de Chateau Lafite Rothschild safra 1787 é posta à venda na internet por três milhões de dólares:www.antiquewine.com.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso naquelas pobres uvas, cultivadas, colhidas e pisadas por servos com raros direitos e plenos deveres e dívidas para com o nobre senhor do castelo. Pois são essas uvas que, mesmo não tendo freqüentado os banquetes de Versalhes nem tendo feito companhia aos brioches de Madame Antonieta, seguem agora para a guilhotina burguesa. Resta saber se o abastado comprador deste Chateau Lafite Rosthschild 1787 terá a coragem de decapitar a cabeça e verter o sangue da última testemunha viva do Antigo Regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem meios nem fundos para resgatar tal garrafa, decido brindar à sua sorte na companhia de um de seus descendentes, o chileno Los Vascos, produzido pela Casa dos Barões de Rothschild no novo mundo. Um vinho que, apesar do sobrenome, tem aroma de liberté, sabor de egalité e deixa na boca um gosto de fraternité. Além das melhores impressões, o Chateau Los Vascos também deixa em seus compradores, tirando os 45 reais que se paga por ele, a sensação de se ter feito um verdadeira barganha e conseguido por ele um inacreditável desconto de 3 milhões de dólares.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-8325816658247886789?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/8325816658247886789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=8325816658247886789' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/8325816658247886789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/8325816658247886789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/05/o-vinho-de-3-milhes-de-dlares.html' title='O vinho de 3 milhões de dólares'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RlSHdZhxwSI/AAAAAAAAABo/uTbcp7ojzYQ/s72-c/losvascos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-5757638321753996915</id><published>2007-04-26T07:14:00.000-07:00</published><updated>2007-09-06T17:39:36.595-07:00</updated><title type='text'>Vinho com prescrição médica</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RjC0nV-vigI/AAAAAAAAABY/v8v1TlZg6HA/s1600-h/galeno+liber+de+vinis.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057740969545271810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RjC0nV-vigI/AAAAAAAAABY/v8v1TlZg6HA/s400/galeno+liber+de+vinis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Aparício Torreli, o finado Barão de Itararé, já advertia: o fígado faz muito mal à bebida. Tal fato pode ser comprovado na farta literatura que, desde a Magna Grécia, relata as propriedades medicinais da bebida, em especial do vinho. Hipócrates, o pai da medicina, já o prescrevia como panacéia para a cura dos mais diversos males. Estudioso da medicina hipocrática, Galeno foi além e decifrou, há quase dois mil anos, as propriedades farmacológicas e terapêuticas do vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, no século VII, o alquimista Geber ( Jabir Ibn Hayyan) inventou o alambique, imediatamente surgiram metáforas como elixir da vida, água da vida, spirit e acqua-vitae para qualificar o produto final de seu invento, o álcool. Paracelso aprofundou os estudos sobre a grande descoberta dos alquimistas islâmicos e influenciou outro prêmio nobel da medicina medieval, Arnaldus de Villa Nova, que retomou os estudos de Galeno e compilou o maior tratado sobre as propriedades medicinais do vinho já existente, o Liber de Vinis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, a opinião científica é unânime em afirmar os benefícios terapêuticos do vinho. Desde os anti-oxidantes presentes nos taninos, até o resveratrol, substância também presente nos tintos que aumenta a potência muscular e reduz o esforço cardíaco. Sobre o resveratrol, em pesquisa publicada no site &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cell.com/"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;www.cell.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;, diz o especialista em biologia celular e molecular, Johan Auwerx: " O resveratrol faz de você um atleta sem nenhum esforço ou exercício." Hipócrates e Galeno não teriam ido tão longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que tenho sido acometido de insistentes dores de cabeça após ingerir certas doses de vinho. Diante da receita prescrita por Hipócrates, Galeno, Geber, Paracelso e outros fundadores da moderna medicina, tendo a concordar com o nobre Barão de Itararé quanto à natureza do problema: a cabeça tem me feito mal ao vinho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-5757638321753996915?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/5757638321753996915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=5757638321753996915' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/5757638321753996915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/5757638321753996915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/04/vinho-s-com-prescrio-mdica.html' title='Vinho com prescrição médica'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RjC0nV-vigI/AAAAAAAAABY/v8v1TlZg6HA/s72-c/galeno+liber+de+vinis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-7518175772712913386</id><published>2007-03-28T11:28:00.001-07:00</published><updated>2007-09-06T17:40:23.701-07:00</updated><title type='text'>Da necessidade de escalar montanhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/Rgq2VA2BtYI/AAAAAAAAABA/qNgyr8Hxzko/s1600-h/montanhas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5047046804542174594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/Rgq2VA2BtYI/AAAAAAAAABA/qNgyr8Hxzko/s400/montanhas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Indagado sobre as razões que o levavam a praticar o nobre esporte do montanhismo, um dos mais célebres escaladores de todos os tempos cunhou a frase que entrou para a história: "Eu subo as montanhas porque elas estão lá". E mais não disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não ostentar em meu currículo a conquista de um monte sequer, discordo de tal afirmação. Montanhas devem ser escaladas para que se possa apreciar a vista que se tem lá de cima. Afinal, que outra razão justifica o insano desejo que nos move na direção dos elevados vértices que pairam desafiadores sobre a serena planície do cotidiano? Que outro motivo explica a necessidade de amadores como nós ousarmos atingir as mais elevadas e rarefeitas alturas dos míticos cumes da cordilheira de Bordeaux, ou dos sagrados santuários que despontam no altiplano da Borgonha, ou ainda, dos não tão famosos mas não menos elevados zênites do himalaia alentejano. Deve haver motivo maior do que o simples fato dele estar lá para que nos lancemos na vertiginosa direção de um Chateau Margaux.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organizamos uma expedição. O alvo era um dos grandes everestes de Bordeaux, o legendário Chateau Haut-Brion 86, com altitude superior a 600 euros. A empreitada, dado o seu alto custo, foi devidamente cotizada e planejada com precisão e rigor alpinos: decantação duas horas antes, champagne inicial para dar coragem e um cordeiro assado com purê de maçã para sustentação. Com as estrelas do firmamento por testemunha atingimos o cume. Da linha divisória entre o céu e a terra, registrei a façanha na foto acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montanhas, como bem intuiu o profeta Maomé, não saem do lugar. Cabe a nós o desafio de nos movermos até elas se quisermos conhecer o mundo além da serra gaúcha e outros acidentes geográficos. Acima de tudo, é preciso dar a devida atenção aos montes chilenos, argentinos, portugueses, espanhóis, australianos e neo-zelandeses que, das mais diversas alturas, destacam-se da paisagem com honestidade e altivez andinas. E, no caso de um desafio maior, é preciso fazê-lo com parcimônia e sabedoria. Como explica a filosofia zen, o sábio tem o dever de, uma vez na vida, subir o Monte Fuji. Somente aos não-sábios é permitido subir mais de uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-7518175772712913386?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/7518175772712913386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=7518175772712913386' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/7518175772712913386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/7518175772712913386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/03/da-necessidade-de-escalar-montanhas_28.html' title='Da necessidade de escalar montanhas'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/Rgq2VA2BtYI/AAAAAAAAABA/qNgyr8Hxzko/s72-c/montanhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-6189444589672805424</id><published>2007-02-16T06:34:00.000-08:00</published><updated>2007-09-06T17:46:29.054-07:00</updated><title type='text'>Da Monumental Plaza de Toros a esta humilde adega</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032140974112570306" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RdXBjfWq-8I/AAAAAAAAAAc/hjW9gvqAH7U/s320/sangredetoro.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Meu amigo Raoul me pergunta sobre vinhos da Catalunha. Da Catalunha, respondo, só conheço as cavas, grandes espumantes feitos na terra onde a árvore genealógica de meu amigo tem sólidas raízes. Mas, como múltiplas e infinitas raízes também tem a árvore do conhecimento, nunca se sabe quando tropeçaremos em uma de suas extensas ramificações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Não é de hoje que o touro é um animal de grande simbolismo para os povos mediterrâneos. Minos, o rei de creta, mantinha um em seu labirinto. Disfarçado de touro, Júpiter seduziu a bela Europa. Em Alexandria, os súditos de Cleópatra reconheciam no boi ápis a representação do deus Osiris. Assim como, em Argos, as mulheres viam no touro que emerge das águas a representação de Dionísio, deus do vinho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Gregos e romanos, os poetas clássicos sempre associaram a força do touro à potência do vinho. Pegando carona, Ernest Hemingway escreveu que o gosto pelas touradas é proporcional ao gosto pelos vinhos. Era de se imaginar, portanto, que na região onde se encontra a Monumental Plaza de Touros houvesse vinhos mais robustos do que aqueles que o escritor norte-americano considerava como sendo menores e, por esta razão, indicados para iniciantes em vinhos e touradas, os vinhos frisantes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Eu não sabia. Mas, há 54 anos é produzido em Barcelona este Sangre de Toro, naturalmente, tinto e robusto. Feito com uvas garnacha e cariñena é descrito com um vinho de aroma e sabor mediterrâneos, ideal para acompanhar a aromática e saborosa culinária catalã. Agora sei. E por isso, ergo uma taça na direção da Sagrada Família e faço um brinde a Raoul, Gaudí, Picasso e a este bravo herói que verte sangre e coragem nas plazas de Espanha, el toro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-6189444589672805424?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/6189444589672805424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=6189444589672805424' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/6189444589672805424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/6189444589672805424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/02/da-monumental-plaza-de-toros-esta.html' title='Da Monumental Plaza de Toros a esta humilde adega'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_zcmQrRpBp_g/RdXBjfWq-8I/AAAAAAAAAAc/hjW9gvqAH7U/s72-c/sangredetoro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-117089935829644882</id><published>2007-02-07T16:29:00.000-08:00</published><updated>2007-08-30T17:08:38.888-07:00</updated><title type='text'>Medalha de ouro em Bratislava</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6827/2464/200/985093/lovara.jpg" border="0" /&gt;Tão certa como qualquer uma das três fundamentais leis de Newton é a certeza de que a maior distância que se pode percorrer no universo enológico é aquela que separa Mendoza, na Argentina, do Vale dos Vinhedos, no sul do Brasil. Afastados por intransponíveis mil ou dois mil quilômetros, estão vinhos de espécies - e principalmente qualidades - tão distintas como animais que começaram a se diferenciar quando os continentes ainda eram uma única Gonduana. Mas este postulado científico dá ares de que será brevemente revisto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Denominação de origem controlada é uma espécie de atestado de boa procedência no mundo dos vinhos. A maior parte das DOCs está situada no continente europeu, berço dos Bordeaux, Chianti, Rioja, Douro, Alentejo, Champagne, Tokay, Toro e uma grande variedade de nascedouros privilegiados. Fora da Europa, no entanto, somente duas indicações geográficas gozam de tamanho prestígio: a região do Napa Valley, nos EUA, e o Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No exato momento em que os produtores gaúchos celebram a recente conquista, fui convidado para analisar, em conjunto com os blogs &lt;a href="http://www.vivinhos.blogspot.com/"&gt;Vivinhos&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.vinhoparatodos.blogspot.com/"&gt;Vinho para Todos&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.vivaovinho.blogspot.com/"&gt;Viva o Vinho&lt;/a&gt;, este Lovara Cabernet Sauvignon 2005, filho legítimo da mais nova DOC. Sob o peso de tal responsabilidade, optei por proceder uma análise científica do produto que, recentemente, conquistou medalha de ouro no décimo-quinto Vinoforum International Competition 2006, na República da Eslováquia. Cor: azul fechado como o céu de Bento Gonçalves, sem o brilho das estrelas de Gramado. Aroma: cordial, mas sem a simpatia da rainha da uva de Caxias do Sul. Gosto: correto, mas sem a franqueza de uma cozinha tipicamente italiana da região. Resultado: medalha de ouro em Bratislava. Jantando com a família no interior do Wyomming, Robert Parker poderia dar uma nota melhor. Almoçando com seu gerente de banco, Michel Roland também. E quem sabe a impressão que teria este Lovara num pequeno restaurante de Canela? Conclui-se e confirma-se com esta análise que a ciência, não importa se enológica ou quântica, depois de Einstein, ficou muito relativa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-117089935829644882?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/117089935829644882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=117089935829644882' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/117089935829644882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/117089935829644882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/02/da-teoria-relatividade.html' title='Medalha de ouro em Bratislava'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-116949278866771388</id><published>2007-01-22T10:01:00.000-08:00</published><updated>2007-02-07T09:06:54.913-08:00</updated><title type='text'>Troca por vinho o amor que não terás</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6827/2464/1600/519454/shiraz.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6827/2464/320/772961/shiraz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os arqueiros do poderoso exército persa treinavam a pontaria sob o olhar atento do rei Djemchid quando uma cena incomum quebrou a concentração daquele momento. Nas proximidades da zona de tiro, uma serpente envolvia e sufocava uma majestosa ave. Sem pestanejar, o soberano ordenou que fosse plantada uma flecha certeira na cabeça do ofídio mal-intencionado. Agradecida, a ave depositou aos pés do nobre comandante um punhado de sementes que este, imediatamente, mandou semear. Quando a desconhecida planta germinou, o suco de seus frutos passou a ser muito apreciado pelo rei. No entanto, passado algum tempo, este suco ficava amargo e acabava esquecido pelo palácio. Certa noite, para se ver livre de uma brutal enxaqueca, uma das escravas favoritas do rei desejou morrer e bebeu de um só gole todo o conteúdo do tal suco estragado. Ao contrário do efeito pretendido, o suposto veneno a deixou mais leve, muito mais solta e imensamente feliz. Impressionado com tal entusiasmo, Djemchid liberou a todos a bebida, que passou a se chamar Darou-é-Shah, o remédio do rei. E assim, do harém para o povo, o vinho conquistou a Pérsia. Quando fundou Persépolis, o grande Cambises, descendente de Djemchid, mandou plantar em todo o entorno da cidade, as vinhas que deram origem aos célebres vinhedos de Shiraz, cidade das rosas, dos poetas e do vinho, situada no atual Irã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como num conto das mil e uma noites, em visita a uma loja de vinhos, dei de cara com aquela garrafa mágica. Já em casa, enquanto admirava o rótulo deste Quinta do Valdoeiro Syrah, ou Shiraz, percebi que a rolha lentamente sufocava seu vibrante conteúdo. Com a precisão de um arqueiro persa, libertei o majestoso bairrada de raízes mouras. Agradecido, o vinho me presenteou, não com sementes, mas sussurando tal qual uma sedutora Sherazade a mais bela das pouco conhecidas quinze ruba'iyat, quadras da composição poética tradicional persa, que o maior dos poetas ocidentais, Fernando Pessoa, fez em homenagem a seu correspondente oriental, o persa Omar Khayyam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Troca por vinho o amor que não terás&lt;br /&gt;O que esperarás, perene o esperarás&lt;br /&gt;O que bebes, tu bebes. Olha as rosas.&lt;br /&gt;Morto, que rosas é que cheirarás?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comovido e imensamente agradecido, prometi a este incomum vinho português 100% shiraz que faria da primeira linha desta ruba'i a mais inspiradora e reveladora epígrafe que um romance jamais teve.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-116949278866771388?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/116949278866771388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=116949278866771388' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116949278866771388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116949278866771388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/01/troca-por-vinho-o-amor-que-no-ters_22.html' title='Troca por vinho o amor que não terás'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-116795219138910959</id><published>2007-01-04T12:25:00.000-08:00</published><updated>2007-01-04T15:16:04.490-08:00</updated><title type='text'>Isabel, niagara e os carmina burana</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6827/2464/1600/849471/taberna.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6827/2464/400/967099/taberna.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Dizem que a taberna foi a maior invenção do homem. Bobagem. Quem inventou a taberna foi o vinho. A agricultura ainda engatinhava quando a taberna surgiu com o único propósito de servir vinho a quem de vinho necessitasse. Não por acaso, entre seus mais ilustres frequentadores figuram os sábios gregos que primeiro embalaram o berço da moderna civilização. Acredita-se que, no interior de uma taberna, foi proferida pela primeira vez a palavra democracia. E outros vocábulos ainda mais nobres como os elogios dedicados às musas pelo poeta grego Alceu e seus predecessores romanos Plauto, Horácio, Cícero e Tito Lívio. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na clássica penumbra da taberna nasceram conspirações, revoluções e juras de amor. Em 1803, um volume com cerca de 200 poemas e canções medievais foi encontrado na abadia de Benediktbeuern, na Baviera. Soube-se depois que se tratava de uma compilação de canções originais do século XIII. Consideradas profanas, uma vez que fugiam dos temas litúrgicos e gregorianos, as canções populares de Beuern foram publicadas com o título de Carmina Burana e tornaram-se eruditas. Musicadas pelo compositor alemão Carl Orff com certo tom apocalíptico, retornaram aos ouvidos do povo como trilha sonora de filmes como A Profecia e Excalibur, comerciais de tv e, em última instância, como tema recorrente do núcleo maquiavélico da novela das oito. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Entre as Carmina Burana, há canções satíricas, cantigas de amor e aquelas dedicadas à velha e boa taberna. Na canção In Taberna Quando Sumus, os desconhecidos poetas cantaram o motivo pelo qual freqüentavam o estabelecimento: Quando estamos na taberna não falamos sobre a morte/jogamos os dados em nome de baco/Alguns perdem suas roupas, alguns as ganham, alguns se vestem com sacos. Por quem bebiam: bebemos pelos prisioneiros, três vezes pelos vivos, quatro vezes por todos os cristãos, cinco vezes pelos fiéis mortos, seis vezes pelas irmãs vaidosas, sete vezes pelos soldados da floresta, oito vezes pelos irmãos perversos, nove vezes pelos monges dispersos, dez vezes pelos navegantes, onze vezes pelos discordantes, doze vezes pelos penitentes, treze vezes pelos viajantes. E ainda, quem bebia: bebe a senhora, bebe o senhor, bebe o soldado, bebe o clérigo, bebe ele, bebe ela, bebe o servo com a serva/bebe o ativo, bebe o preguiçoso, bebe o branco, bebe o preto, bebe o estabelecido, bebe o vagabundo, bebe o ignorante, bebe o sábio/ bebe o pobre, bebe o doente, bebe o exilado e o desconhecido, bebe o menino, bebe o velho, bebe o chefe e o diácono/bebe a irmã, bebe o irmão, bebe a anciã, bebe a mãe, bebe esta, bebe aquele, bebem cem, bebem mil.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Poetas, musas, cavaleiros, vagabundos, ciganos, saltimbancos, camponeses, boêmios e boêmias, frades e errantes peregrinos, sempre encontraram abertas as portas da taberna. Sem culpa, sem pecado, sem distinção de casta, aroma, cor, potencial de guarda e persistência dos taninos. Sem pompa, circunstância e a estrutura das viti vinifera. Mas com a alegria e o bom humor de um garrafão de cinco litros de uva americana.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Viva a taberna! Viva Isabel! Viva Niagara! Viva Carmina! Viva Burana! E viva Omar Khayyan! Assim falou o sábio geômetra e gigante poeta persa: Nosso tesouro? O vinho. Nosso palácio? A taberna. Nossos companheiros? A sede e a embriaguês. Ali ignoramos a inquietude, porque sabemos que nossas almas, corações, taças e roupas maculadas nada têm a temer do pó, da água e do fogo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-116795219138910959?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/116795219138910959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=116795219138910959' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116795219138910959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116795219138910959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2007/01/isabel-niagara-e-os-carmina-burana.html' title='Isabel, niagara e os carmina burana'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-116485165020004954</id><published>2006-11-29T15:51:00.000-08:00</published><updated>2006-12-01T02:22:53.806-08:00</updated><title type='text'>Onde se explicam o fruto e as raízes da confusão instaurada no pomar divino</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6827/2464/1600/987349/eva.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6827/2464/400/32453/eva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Recentemente foi descoberta no Irã, antiga Pérsia, uma ânfora contendo em seu interior resíduos de um vinho com 3.500 anos de idade. Escavações em Catal Hüyük, primeira cidade da humanidade encontrada na atual Turquia, revelaram sementes de uva datadas de 8.000 a.C. Acredita-se que antes da última era glacial os povos de Cro-Magnon, inventores da arte moderna, serviam vinho nas concorridas vernissages de Lascaux. Arqueólogos confirmam o fato de haver, na grande maioria das escavações, registros da presença do vinho em todas as sociedades humanas. Na tumba de Tutankamon foi encontrada uma ânfora contendo a inscrição "de muito boa qualidade". A videira e o produto da fermentação de seu fruto são, provavelmente, anteriores ao surgimento da espécie humana. No entanto, foi o homem quem deu sentido à bebida. Estudos científicos e observações pouco menos acadêmicas convergem ao apontar no mito do paraíso celeste uma clara alusão ao encontro do homem com o vinho. A ilustração acima é um fragmento do teto da Capela Sistina e mostra Eva no momento em que recebia da serpente o fruto proibido. Analisando a obra de Michelangelo, estudo de botânica (Drauft, 1987) revela ser aquele o caule característico da &lt;em&gt;vitis rupestris&lt;/em&gt;, espécie de videira americana que, ao contrário da &lt;em&gt;vitis vinifera&lt;/em&gt; européia, não é considerada apropriada para a produção do vinho de qualidade. Tal afirmação encontra eco nas palavras de outros estudiosos quando estes apontam que o fruto proibido descrito no velho testamento, e comumente associado à maça, já ter sido interpretado como sendo um figo ou pêra ou mesmo um cacho de uvas. Apesar da tentadora combinação pêra-uva-maçã, o mito do Paraíso Perdido ( Milton, 1667) adquire lógica mais consistente quando analisado sob a ótica do vinho. Neste sentido, teólogos e juristas concordam que a simples coleta de uma maça não é motivo para o castigo divino. O grande pecado aqui é o conhecimento. Vivendo no jardim das delícias de modo inocente, Adão e Eva, em certo momento, transgridem as regras e tomam para si o conhecimento que os distancia das outras criaturas ao mesmo tempo em que os torna mais próximos do Criador. Ora, tal conhecimento, simbolizado pelo fruto proibido, estava disponível no jardim das delícias. E a sábia serpente não pede que Eva o tome somente pelo prazer de vê-los cair em desgraça. Por sua consistência biológica, o homem já estava predestinado ao conhecimento (De Havers, 1972). A questão aqui é o modo como tal conhecimento foi utilizado. Para outros estudiosos, a descoberta de textos apócrifos nas cavernas de Qunram joga luz sobre a questão: " &lt;em&gt;e assim o Criador ordenou à serpente que instruísse Eva sobre como beber do conhecimento contido no fruto..." &lt;/em&gt;. Há quem interprete assim a continuação deste fragmento: " &lt;em&gt;Com orgulho, a serpente e o Criador assistiram ao recém instruído casal beber do vinho do conhecimento. No entanto, como as uvas eram das castas Isabel e Niagara&lt;/em&gt; ( por conta da videira americana ) &lt;em&gt;Adão teria achado o vinho doce e com baixo potencial de envelhecimento, motivando Eva não só a concordar como também não poder deixar de comentar o ridículo bouquet e a lamentável falta dos taninos" &lt;/em&gt;. O resto da história está no Velho Testamento mesmo: a inevitável expulsão de ambos do Paraíso e o comentário "eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bom e do mau" proferido pela serpente, para muitos, o primeiro enófilo que se tem notícia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-116485165020004954?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/116485165020004954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=116485165020004954' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116485165020004954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116485165020004954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/11/onde-se-explicam-o-fruto-e-as-razes-da.html' title='Onde se explicam o fruto e as raízes da confusão instaurada no pomar divino'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-116239765694362782</id><published>2006-11-01T06:22:00.001-08:00</published><updated>2006-11-01T08:36:14.976-08:00</updated><title type='text'>Alguma coisa como avec le tout que tu plus aime e vice-versa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/provence.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/320/provence.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Além da capacidade de transformar chumbo em ouro e de esticar seu período de permanência neste mundo pelo tempo que quisessem, os sábios alquimistas detinham um fantástico poder de síntese. Com uma única frase, resumiam todo o imenso conhecimento adquirido em vários séculos de dedicação à Grande Obra. Solve et Coagula, dissolver e se transmutar, é o maior dos segredos da Natureza, como bem intuiu Lavoisier. Segredos, é sabido, há em todas as artes. Como naquela que consiste em combinar o vinho com a comida e seus temperos ocultos. Sobre a arte da harmonização de vinhos e jantares, há muito mais livros, teses e tratados do que se pode ler em uma única vida. E, no entanto, tal conhecimento pode ser expresso em poucas palavras, uma única frase que o bom senso me autoriza revelar. O sol já declinava no horizonte quando entrei naquela espécie de mercearia na pequena vila incrustada nas montanhas do Luberon, coração da Provence. Peguei duas garrafas do vinho daquele lugar, que com meus poucos e contados euros podia facilmente comprar, e tão logo me dirigi ao caixa fiz o que na hora imaginei ter sido uma grande besteira. Não sei onde estava com a cabeça quando interpelei a senhora rechonchuda e de faces rosadas para perguntar aquilo que todos os habitantes do campo já sabem antes mesmo de nascer. Com que comida deveria provar aquele vinho? Não sei se foi pelo meu francês precário ou pela impertinância da pergunta, mas ela não respondeu de pronto. Me fitou séria e calada por uns dois ou três minutos que pareceram uma eternidade. Eu pensava em pedir desculpas, devolver as duas garrafas à prateleira e sair correndo dali quando ela abriu um imenso sorriso e, com a doçura que se dedica às crianças e àqueles que ainda estão aprendendo, falou alguma coisa como &lt;em&gt;avec le tout&lt;/em&gt; &lt;em&gt;que tu plus aime&lt;/em&gt;, que eu entendi como algo perto de &lt;em&gt;com tudo aquilo que você mais ama&lt;/em&gt;. Então era isso. Um bom vinho é aquele que você gosta e que, por isso, combina perfeitamente com tudo aquilo que você também gosta. Ou seja, para dominar os segredos da alquimia de sabores a que chamam harmonização, bastam intuição e bom gosto. Iluminado pela luz do Luberon, fui jantar em um restaurante que outrora abrigara uma abadia. Para comemorar minha nova condição de adepto, pedi um Chateau Simone, que por lá se denomina o grand cru da Provence. Em algum estado entre as coisas simples da vida e o êxtase místico, fui despertado por uma observação daquela que amo. Naquele momento, logo após ouvir o comentário de que o jantar estava simplesmente divino, compreendi mais uma das sábias frases dos antigos filósofos herméticos. Tudo o que está na terra tem seu correspondente no céu. E vice-versa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-116239765694362782?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/116239765694362782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=116239765694362782' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116239765694362782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116239765694362782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/11/alguma-coisa-como-avec-le-tout-que-tu.html' title='Alguma coisa como avec le tout que tu plus aime e vice-versa'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-116179905291543832</id><published>2006-10-25T09:50:00.000-07:00</published><updated>2006-11-09T16:03:32.196-08:00</updated><title type='text'>Um brinde ao comandante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/canepa.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/canepa.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Durante visita ao Chile, na década de 70, Fidel Castro foi apresentado por Salvador Allende ao companheiro Canepa Finissimo Cabernet Sauvignon. Em poucas horas de conversa, tornaram-se amigos de infância e ficou combinado que um contêiner deste Canepa desembarcaria na Ilha de Cuba, para ajudar na construção daquela república de médicos, músicos e bailarinas não subserviente ao grande irmão do norte. Quis o destino que tal fato nunca acontecesse, pois o invejoso general Pinochet assumiu o poder em Santiago e, ato contínuo, cancelou a remessa. Muitos são os vinhos do Chile, todos de grande valor. Em sua escolha, Fidel mostrou grande sabedoria e integridade. Mesmo entre os Canepa, poderia ter optado por um Magnificum, orgulho maior da vinícola, o que teria sido um arroubo de vaidade não condizente com a pessoa e a proposta do líder. Também poderia ter optado por um Canepa Classico, este que se encontra facilmente em qualquer supermercado, mas teria sido uma demonstração barata de demagogia. Prevaleceu a honestidade, o caráter, o bom senso, o equilíbrio e a sutileza deste Canepa Finissimo. Não é um vinho popular. Custa perto de 70 reais, um quinto do salário-mínimo no Brasil ou duas vezes o salário de um médico em Havana. Sem julgamentos, pois acredito que estes somente cabem à população de Cuba, e sem perder a ternura jamais, com uma taça deste Canepa Finissimo, brindo à saúde do velho comandante. Com a mão esquerda. Sempre. Até porque, eu sou canhoto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-116179905291543832?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/116179905291543832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=116179905291543832' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116179905291543832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116179905291543832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/10/um-brinde-ao-comandante.html' title='Um brinde ao comandante'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-116122496904991486</id><published>2006-10-18T18:28:00.000-07:00</published><updated>2007-02-08T17:33:01.823-08:00</updated><title type='text'>E pur si muove</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/320/beaujolais.0.jpg" border="0" /&gt;Jacques Toutbon é um sujeito bem intencionado. E no entanto, atacam-no por defender a língua francesa dos anglicismos impostos pela tecnologia. Apesar de perseguido, o Ministro &lt;em&gt;de le Culture, des Loisirs et de la Francophonie&lt;/em&gt; ostenta algumas vitórias. Por toda a França diz-se &lt;em&gt;ordinateur&lt;/em&gt; para computador, &lt;em&gt;le logiciel&lt;/em&gt; para software, &lt;em&gt;le materiel&lt;/em&gt; para hardware e &lt;em&gt;courrier electronique&lt;/em&gt; no lugar de e-mail. A Sony não deve gostar muito, mas walkman, na França, chama-se &lt;em&gt;le balladeur&lt;/em&gt;. Por tais idéias, a moderna inquisição tachou o ministro de herege e deu-lhe o apelido de Jack Allgood. Solidário à causa, também eu sou perseguido pelo braço do santo ofício enológico por confessar publicamente o que consideram um pecado digno de se arder na fogueira: eu gosto de Beaujolais. Querem atirar ao fogo minha carteira de sommelier amador quando digo isso. Que joguem. Já está vencida e esquecida numa gaveta há muito. Nos restaurantes em que ela vale algum desconto no preço do vinho ou dispensa a cobrança da rolha, minha mulher defende a família. Não vejo motivo para que se considere menor um vinho que nasce no região que faz fronteira com os célebres vignobles de Chateaneuf du Pape e os ainda mais célebres pinot noir de Beaune. Se fosse em La Mancha seria tudo um terroir só. Dizem que é por causa da Gamay, a prima-pobre das uvas, com seu corpo esquálido e seu subdesenvolvido aroma de banana. Não vejo menor corpo num Moulin-a-Vent do que em qualquer outro produto da Borgonha e adjacências. Mesmo este Joseph Drouhin, que não é de produtor mas sim de um negociante, provou o valor de um grand cru de beaujolais. E custou a metade de um nouveau e quase o mesmo preço de um villages. Pelo menos aqui no Brasil. Enquanto na França com poucos euros compra-se um beaujolais recém engarrafado, aqui não sai por menos de cem reais. Ou seja, heresia cometem os devotos da moda que todos os anos, religiosamente, pagam mais de trinta euros por um vinho de seis. E é tão somente por essa razão que, como deseja o santo ofício, eu retiro o que disse sobre gostar de beaujolais. Mas não por falta de corpo, aroma de banana ou qualquer defeito que queiram atribuir a este vinho. Mas pelo  custo do marketing. Ou, como quer o ministro Tiago Tudobom, o valor extra que se cobra pela mercadologie.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-116122496904991486?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/116122496904991486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=116122496904991486' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116122496904991486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116122496904991486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/10/e-pur-si-muove.html' title='E pur si muove'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-116050235493670683</id><published>2006-10-10T08:56:00.000-07:00</published><updated>2006-10-10T11:20:20.370-07:00</updated><title type='text'>Carpe diem, carpe vinum</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/carpe%20diem.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/carpe%20diem.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Numa manhã sem grandes acontecimentos meu avô despediu-se de minha avó e faleceu pouco antes da hora do almoço. Não chegou a completar um século de existência, como todos esperávamos, mas chegou bem perto. Entre os seus pertences havia duas garrafas de vinho. Guardadas no fundo de um armário há pelo menos trinta anos, ambas foram a mim confiadas por minha avó. Assim, acabei herdando um porto Sandeman Partner's e esta magnífica garrafa de Concha y Toro Chilean Riesling cosecha 1974. Fazer o quê com um riesling de 1974 em 2006? Jogar no lixo, diriam enólogos e enófilos com o pragmatismo que lhes é peculiar e ainda acrescentariam, a título de erudição, que branco desta idade só um Montrachet e olhe lá. Abri a garrafa, evidentemente. A cor variava entre o alaranjado de um chá inglês passado do ponto e o ocre ferruginoso das terras de Siena. O aroma, alguma coisa indefinida e ligeiramente ácida sem no entanto aparentar vinagre. Provei. Naturalmente, não havia mais vinho naquela garrafa, tampouco sua sombra ou degeneração. Repousava ali um retrato em sépia de grandes realizações não acontecidas. Na boca, percebia-se facilmente o gosto meio doce meio amargo de tudo aquilo que poderia ter vindo a tona de maneira esplendorosa e, no entanto, não passou da condição de potência. Vinhos que morrem na garrafa são como paixões que não se concretizam porque uma das duas partes chegou atrasada ao que teria sido o encontro de suas vidas. Vinhos devem ser devidamente degustados no ponto ideal de sua curva, no estado de maturidade, depois da juventude e antes da decrepitude, diriam aqueles outros, os pragmáticos. Digam o que disserem. Em um único gole daquele que um dia foi um concha y toro, podia se experimentar, ainda que por breve instante, o vislumbre do quão espetacular teria sido beber daquele chilean riesling cosecha 1974. Não importa se na juventude, maturidade ou em que ponto de sua curva. Mas sim, numa daquelas manhãs sem grandes acontecimentos, ali por volta do meio-dia, na companhia do velho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-116050235493670683?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/116050235493670683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=116050235493670683' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116050235493670683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/116050235493670683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/10/carpe-diem-carpe-vinum.html' title='Carpe diem, carpe vinum'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-115920390071458921</id><published>2006-09-25T09:20:00.000-07:00</published><updated>2006-09-25T10:29:14.303-07:00</updated><title type='text'>Do Zeta ao Aleph</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/borges.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/320/borges.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Distraído, segurei a garrafa. Pesada, de vidro espesso. No rótulo monocromático, além da cor do metal argentino, destacava-se a letra Z, de Zuccardi, tradicional família estabelecida em Mendoza. Meu conhecimento em relação a seus vinhos não passava da letra Q. Q Malbec, Q Cabernet Sauvignon, Q Merlot e o Q Tempranilllo. Todos varietais, ao contrário deste Zeta, 54% Malbec, 46% Tempranillo. Curioso, confesso que queimei as duas primeiras etapas, visão e olfato, e fui direto ao paladar. Pobres daqueles que descrevem um vinho como uma "combinação de complexidade e elegância", e ainda se atrevem a escrever no contra-rótulo da garrafa tais palavras desprovidas de qualquer sentido. Melhor seria estampar ali uma imagem. Qualquer uma das muitas que vi naquela prova. Tateando no escuro daquele labirinto de sensações, tive a impressão de ver se aproximar o brilho luminoso do Aleph, o ponto de onde se avistam todos os outros. Ali, onde os quatro marcos cardeais fundem-se, vi a espada, o tigre, o sendero bifurcado e o espelho. Vi o cego na mesquita de Surakarta, vi o jaguar que espreitava no escuro da torre e o astrolábio que o persa Nadir Shait mandou atirar ao mar. Vi os raios de sol refletidos no mármore dos mil e duzentos pilares da mesquita de córdoba, vi o nascer da aurora e o despertar dos magos. Vi passar o ponto do qual não era mais possível retorno e pude perceber que, a partir dali, física e metafísica, literatura e filosofia, realidade e ficção, não passavam de uma única singularidade. Muito mais coisas vi e, quando já acreditava haver nada mais a ser visto, avistei o pequeno riacho e os dois velhos que conversavam à sua margem. Borges dizia a Homero que cada um de nós se define para sempre em um único instante de sua vida. Instante esse em que, cada qual, se encontra eternamente consigo mesmo. Homero respondia declamando as linhas finais do Soneto do Vinho, do próprio Borges: " Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história, como se esta já fora cinza na memória". Nessa hora, o velho brujo veio em minha direção e ofereceu-me o ombro como se, naquele lugar, fôra eu aquele que não enxergava. Como um fio de Ariadne, o velho me conduziu de volta por aquele labirinto. Poetas, como os cegos, enxergam no escuro. Poetas cegos, enxergavam duas vezes mais. Durante aquele trajeto, reconheci ao longe a cúpula dourada da cidade dos imortais, os minaretes nevados dos Andes, Buenos Aires e a Plaza de Mayo. Numa esquina da Calle Florida, Borges despediu-se e desapareceu no labirinto formado pelas estantes de uma daquelas muitas livrarias. Percorri sozinho o que restava do caminho de volta e, ao abrir os olhos, vi diante de mim uma taça ainda cheia. À mulher amada que me perguntava o que achei daquele vinho, respondi fantástico. E nada mais diria sobre o Zeta naquela noite.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-115920390071458921?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/115920390071458921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=115920390071458921' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115920390071458921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115920390071458921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/09/do-zeta-ao-aleph_25.html' title='Do Zeta ao Aleph'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-115715825904752624</id><published>2006-09-01T15:49:00.000-07:00</published><updated>2006-09-04T05:46:59.846-07:00</updated><title type='text'>E o resto é silêncio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/shakespeare.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/shakespeare.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Vinhos ingleses são como brujas. Jo no creo, pero que los hay, los hay. Indícios de sua existência remontam ao mito de Maeve, deusa guerreira que ofertava aos seus pretendentes uma taça de tinto, rubro como seu próprio sangue. Somente àqueles que bebiam do seu vinho era concedido o privilégio de se tornarem senhores dos mistérios femininos e, por tabela, do trono da ilha. Foi preciso que o grande Julius Caesar ali chegasse para apagar o fogo de Maeve e jogar o feminismo celta na fogueira, a mesma que muito mais tarde estaria reservada aos sutiãs. Em compensação, trouxe junto às suas hostes as uvas do mediterrâneo. Tais uvas caíram no gosto dos ingleses. Feito com malvasias originárias da Ilha de Creta, o vinho da Madeira era, no período de Shakespeare, mais popular do que uma black guiness. O negro Otelo que o diga. Por culpa do vinho, Desdêmona caiu de amores pelo mouro de Veneza. Duque traidor, o irmão mais esperto de Eduardo IV escolheu a morte por afogamento num tonel de vinho madeira. Dado aos encantos da boa mesa, o bufão Falstaff vendeu a alma ao diabo numa sexta-feira santa em troca de um bom cálice deste vinho. E, tragédia das tragédias, com vinho envenado, Claudio, rei interino da Dinamarca, acidentalmente mata Gertrudes, esposa do falecido rei, no lugar de seu verdadeiro destinatário, o príncipe Hamlet que, na dúvida, acaba morrendo no final. E o resto seria silêncio, não fosse a iniciativa de alguns poucos súditos da Rainha Vitória, que teimaram em produzir vinho no império onde havia terroirs de todos os tipos e insolação vinte e quatro horas ao dia. Não obstante as terras frias e chuvosas serem mais adequadas à produção do malte, não obstante a providencial invenção do vinho fortificado português ter permitido que se conservasse por muito mais tempo o vinho adquirido na região do Porto, o mito em torno de um vinho nascido e criado na ilha persiste. Dizem que há quem tenha encontrado um bom vinho inglês. Para degustá-lo prepararam, inclusive, uma mesa com design democrático, sem cabeceiras. O problema é que já se passaram mais de dois mil anos e aqueles que foram procurar um cálice especial para degustá-lo até hoje não voltaram. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-115715825904752624?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/115715825904752624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=115715825904752624' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115715825904752624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115715825904752624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/09/e-o-resto-silncio.html' title='E o resto é silêncio'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-115695331576191521</id><published>2006-08-30T07:28:00.000-07:00</published><updated>2006-08-30T19:58:58.966-07:00</updated><title type='text'>A nível de vinho...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/aniveldevinho.2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/aniveldevinho.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A nível de vinho, muito se fala, pouco se diz. Sobre a matéria, proliferam como ervas daninhas toda a sorte de publicações ditas especializadas, colunas e artigos de jornalistas ditos especialistas e sites de profissionais como Robert Parker dito the wine advocate. Confio nos blogs. Um sujeito que sai para jantar com a esposa ou com amigos e, no dia seguinte, descreve suas impressões sobre o vinho que pediu no restaurante tem, certamente, credibilidade muito maior do que o profissional que recebe o patrocínio - e os melhores vinhos - de grandes vinícolas e negociantes. Confio no que diz o Pingus Vinicius no pingasnocopo, o Paco Torras no bistrô carioca, o Prosendo na a-adega, o Nuno no saca-a-rolha, Suzi no vinhoselivros, João Pedro no copod3 e a Karen no kafkanapraia, todos blogspot, e suas majestades as rainhasdolar ponto com. Quer saber a nota de um Côte du Luberon? Pergunte à Teresa no rioparissemescalas.zip.net e esqueça o parecer jurídico Parker-Johnson. Wine advocates não pesquisam preços, não trazem vinho de Paris na mão com todo o cuidado, nem esperam o anoitecer e a companhia das estrelas para abrir a garrafa. Mesmo o mais genial de todos os cérebros afirmou ser tudo relativo e mostrou a língua para as verdades absolutas da ciência. Quem se leva muito a sério corre o risco de perder o bom senso e acreditar nas bobagens que fala. Afinal, consideram-se sérios os engenheiros da NEC que inventaram o robô que decifra os aromas contidos no vinho a nível de casta e terroir de origem. Em tom igualmente sério, fala-se que o aroma da vitis vinifera é irresistível quando exalado a nível de pescoço feminino e, por isso, já industrializaram as fragrâncias Sauvignon Blanc, Sauternes e Boisé, esta última para aqueles que não imaginam uma noite de amor sem o aroma de barricas de carvalho. Parece mentira, mas fala-se também que o vinho deve também ser harmonizado a nível de música. Assim, marcas que nunca ouvi falar como Consensus e Chakana, devem ser devidamente degustadas, respectivamente, com a Nona de Beethoven e o álbum Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band. Falam que suas estruturas se harmonizam. Deve ser. E fala-se ainda muito mais. Cá entre nós, deixem que falem. Como diz o sábio provérbio português, quem muito fala de vinho, sede tem. Pois.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-115695331576191521?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/115695331576191521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=115695331576191521' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115695331576191521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115695331576191521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/08/nvel-de-vinho.html' title='A nível de vinho...'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-115619604908608470</id><published>2006-08-21T13:13:00.000-07:00</published><updated>2006-08-22T09:16:54.520-07:00</updated><title type='text'>O deus que entendia as mulheres</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/baco.4.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/320/baco.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Deuses gregos nunca foram modelo de elegância no trato com as mulheres. O neanderthal Apolo, que as atraía pelo tipo físico, só faltava sentar o tacape e arrastar pelo cabelo. Zeus, o maior de todos, também não passava de conquistador barato. Apaixonado por Sêmele, a bela filha do Rei  de Tebas, seduziu-a nas formas de touro, pantera e serpente. Mas quando a ingênua princesa pediu ao animal que se apresentasse em seu aspecto normal, vaidoso e exibido, mostrou-se por inteiro diante da amante que morreu carbonizada pelo esplendor divino. Escondeu dentro de uma de suas coxas, longe dos olhares da primeira dama oficial do olimpo, o fruto daquele amor proibido. Quando nasceu, para fugir de Hera, Dionísio foi levado a um país distante e criado pelas ninfas na forma de um cabrito. Um sujeito criado por divindades femininas, dando gritinhos e saltitando na relva, tem duas opções na vida: ou toma de Priscilla o cetro de rainha do deserto ou se torna um cara realmente fora do comum. Profundo conhecedor dos mistérios femininos, Dionísio compreendia, respeitava e encantava as mulheres. Com apenas um dedo fazia o sexo feminino vibrar como as cordas de uma lira. Certa vez, foi convocado a comparecer ao Olimpo. Lá, a venenosa Hera, lançou-lhe a maldição dos loucos. Tomado pela loucura, desceu à terra, inventou o vinho e deu de presente aos homens o remédio da alma, o genérico da ambrosia e do néctar reservados apenas aos deuses. No segundo acesso de loucura, inventou a tragédia grega e, por tabela, o teatro, a literatura, o cinema e a novela das oito. Tornou-se assim a ovelha negra do Olimpo. O deus que, em vez de ajudar a tecer o destino dos homens, desatava os nós e os libertava do fado e das obrigações cotidianas, permitindo aos pobres mortais usufruir, ainda que por breves momentos, os divinos dons da loucura e da alegria. Não por acaso, suas sacerdotisas eram as ensandecidas e seminuas ménades e do seu cortejo faziam parte faunos, sátiros e ninfas. Seu templo eram os campos onde celebrava-se com vinho a fertilidade de Rea, deusa da terra. Sábia Rea, entre tantos pretendentes, escolheu justamente Dionísio para celebrar o sagrado casamento  entre os princípios masculino e feminino. Como nos mostra o grande Caravaggio, não fazia o tipo galã, mas era um conquistador irresistível. No entanto, o grande amor de sua vida, Ariadne, plantou-lhe um frondoso chifre. A filha do Rei Minos caiu na lábia de Teseu e acabou na sarjeta. Envergonhada, fugiu de Dionísio que pediu a Artemis o favor de meter-lhe uma flechada na testa. Percebendo a bobagem que fez, decidiu reparar o erro com um feito sem precedentes. Desceu até o Hades, cruzou o rio dos mortos e voltou de lá com Ariadne nos braços. Aproveitando a viagem, retornou também com sua mãe, Sêmele. A mãe, entronizou no Olimpo, para desespero de Hera. A noiva, enfeitou com uma coroa de estrelas, a Corona Borealis, e a colocou no céu, acima de todas as deusas. Em Roma, era conhecido por Baco e as festas em sua homenagem abalaram os pilares do império. No dia em que Roma acordou pagã e dormiu cristã, os antigos deuses foram enquadrados na lei dos sete pecados capitais. A apenas um, foi concedido uma espécie de habeas corpus. Além de incluir o vinho na nova liturgia, permitiram que seu criador circulasse entre os homens durante cinco dias ao ano. Assim, sempre que algum folião exaltado saúda Baco durante o carnaval, consciente ou não, repete a mesma exclamação dita por Zeus no momento em que foi concebido aquele destinado a se tornar o mais humano entre os deuses e o mais divino dos homens. Evoéh!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-115619604908608470?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/115619604908608470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=115619604908608470' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115619604908608470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115619604908608470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/08/o-deus-que-entendia-as-mulheres.html' title='O deus que entendia as mulheres'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-115439805383000365</id><published>2006-07-31T17:46:00.000-07:00</published><updated>2006-07-31T19:29:52.656-07:00</updated><title type='text'>À mesa com Don Pablo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/neruda.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/neruda.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pablo Neruda é poeta da terra, do povo, do amor e da boa mesa. Em seus escritos, não esconde intensa paixão pelo Chile, pelos trabalhadores, pelas mulheres, pela boa comida e bebida. Ao vinho, dedicou um poema e muitas metáforas. Partidário de uma sociedade equalitária, além da Ode ao Vinho, dedicou sonetos também ao tomate, à cebola, à alcachofra, à maçã e a todos aqueles que labutam no Mercado Central de Santiago. Teve infância pobre. Colocou no prego o relógio que ganhou do pai para custear o primeiro livro. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1971. Adepto fervoroso dos vinhos de seu país, não conheceu o Sideral aí da foto. Vinho novo, fruto da globalização, nasce em um vale situado aos pés dos Andes. A união de um poderoso grupo francês, Dassault, com uma empresa chilena criou a vinícola que, além do Sideral, também produz o Altair, a estrela mais brilhante da constelação da águia. Não é um vinho popular. Ainda, não. Custa uns 40 dólares lá em Santiago. Mas é extremamente bem feito, com um corte bacana de Cabernet, Merlot e um punhado de outras castas em menor quantidade. Mas é o Sideral mesmo que eu escolheria para ilustrar as palavras do poeta. Diz Neruda: " Amo sobre uma mesa / quando se fala, / à luz de uma garrafa de inteligente vinho." Digo eu: que o tempo transcorra com sabedoria para que, devidamente maduros, homens e vinhos possamos falar à mesa com Don Pablo, Violeta Parra, Victor Jara, Gabriela Mistral e outros ilustres companheiros libertários, enquanto desfrutamos do vinho cor do dia, do vinho cor da noite, do sangue de topázio e do estrelado fruto da terra. E assim que se apagarem os corpos celestes do firmamento austral, estejamos prontos para cumprir a profecia de Rimbaud, citada por Neruda em seu discurso de Estocolmo: " ao amanhecer, armados com ardente paciência, conquistaremos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens." &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-115439805383000365?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/115439805383000365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=115439805383000365' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115439805383000365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115439805383000365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/07/mesa-com-don-pablo.html' title='À mesa com Don Pablo'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-115300099632561369</id><published>2006-07-15T13:38:00.000-07:00</published><updated>2006-09-01T18:01:56.796-07:00</updated><title type='text'>Desocupado Leitor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/quichote.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/quichote.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Consta nos guias dedicados ao vinho que La Mancha, região central da Espanha, é a mais extensa área vinícola do mundo, abrangendo 170 mil hectares de vinhedos de origem controlada. Seus vinhos são descritos nesses guias como simples, ligeiros e de bom frescor. E aí deixamos de lado a simplicidade, a ligeireza e, acima de tudo, a boa frescura dos guias enológicos para entrar nas páginas da maior obra literária de todos os tempos. A saga do Engenhoso Fidalgo D. Quixote de La Mancha foi eleita, em 2002, de maneira unânime entre os principais críticos literários, o melhor livro de ficção jamais escrito. Mas, em 1605, ao publicar sua obra-prima, Miguel de Cervantes tinha tão somente a intenção de produzir uma obra que elevasse o espírito humano um graal acima dos romances medievais e dos amores platônicos neles embutidos. Certo dia, desfeita sua extensa biblioteca, o fidalgo Don Quijana decidiu transformar sua vida num romance de cavalaria. Munido de armadura, lança, cavalo magro e um ajudante roliço, partiu em busca do grande amor de sua vida. Não precisou ir muito longe. Ali mesmo, pelas redondezas, deu de cara com a exuberante camponesa Aldonsa e tomou-a, na mesma hora pela senhora de seu coração e destino, a nobre dama Dulcinéia del Toboso. Não tivesse já encontrado o amor de minha vida, eu, como Don Quixote, partiria em santa loucura e peregrinação pela Espanha. Montado num cavalo Rocinante e na companhia de um fiel amigo Sancho, começaria pelo noroeste, terra dos Ribera del Duero, dos galegos Bierzo, Ribeira Sacra, Monterrey, Valdeorras, dos Toro de Valladolid; depois, visitaria, no outro lado, o País Basco e a Catalunha atrás do Txacoli de Vizcaya, dos Priorat, das Cava e de qualquer vinho produzido na Rioja. Sem escalas, seguiria direto para o sul, onde provaria os Jerez lá na fronteira e os brancos de Valencia. Só então, feito esse percurso, seguiria para o centro. Antes de chegar a La Mancha, porém, pararia nos arredores de Madrid para comprar um tempranillo, em Méntrida um Garnacha, em Toledo uma espada e, em Guadalajara, um coquetel a base de alcachofra que faz muito bem ao fígado. Missão cumprida, descansaria em qualquer taberna na região de La Mancha. Chegaria sem pressa, esperando que o sábio taberneiro do balcão visse minha chegada e de lá gritasse para a cozinha - " Aldonsa, o melhor vinho da casa para o cavaleiro da triste figura!". &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-115300099632561369?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/115300099632561369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=115300099632561369' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115300099632561369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115300099632561369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/07/desocupado-leitor.html' title='Desocupado Leitor'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-115255132445871489</id><published>2006-07-10T09:04:00.001-07:00</published><updated>2006-07-10T20:10:47.563-07:00</updated><title type='text'>Eu, que pensava que os grandes vinhos eram pisados por bailarinas.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/ballet.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/ballet.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Não são. Mas a pisa da uva é uma prática realizada desde os primórdios da humanidade. A partir do momento em que Baco, no grego Dionísio, plantou a primeira uva, muitos foram os que recomendaram o produto de seus frutos. Noé, diz a Bíblia, plantou uma vinha e tendo bebido o seu vinho, embriagou-se em sinal de agradecimento. Resultado: encalhou a arca no Monte Ararat e nós estamos aqui até hoje. Na antiga Grécia, Hipócrates, o pai da medicina, enaltecia as propriedades medicinais do vinho. Passaram-se 1.700 anos e algumas revistas semanais ainda falam disso como se fosse novidade. Estava lá na Babilônia e agora no Louvre, inscrita no granito negro do Código de Hamurabi, a lei que autoriza e regula o funcionamento das casas de vinho. Paracelso, o grande filósofo hermético, teria obtido o elixir da longa vida a partir do vinho e, segundo afirmam alguns esotéricos, completou recentemente a idade de 1.125 anos e é um pequeno, porém renomado, produtor de vinhos no Alentejo. O fato é que não é de hoje que os frutos da parreira são pisados em tanques conhecidos pelo nome de lagares. A pisa é o processo que acelera a fermentação da uva e sempre foi realizada por homens. Nunca foi permitido às mulheres entrarem no lagar. Dizem que os hormônios femininos geram certa incompatibilidade química que faz o vinho desandar. Se é verdade ou não, nunca o saberemos, pois é cada vez menor a produção de vinho a partir da pisa. Os modernos tanques de aço, que substituíram o processo artesanal milenar, introduziram a tal maceração carbônica, descrita pela fórmula C6H12O6 = 2C2H5CH + 2 CO2. Louis Pasteur que, não por acaso, testou o processo de pasteurização no leite, disse certa vez que há mais filosofia em uma garrafa de vinho do que em todos os livros. Pode ser. Pode ser também que os tanques de aço tenham acabado com boa parte dessa filosofia. Mas eu juro que se aparecer um vinho russo, produzido a partir de uvas siberianas, pisadas pelas bailarinas do Bolshoi, no ritmo da melodia de Tchaikovsky, eu compro na hora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-115255132445871489?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/115255132445871489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=115255132445871489' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115255132445871489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115255132445871489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/07/eu-que-pensava-que-os-grandes-vinhos_10.html' title='Eu, que pensava que os grandes vinhos eram pisados por bailarinas.'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-115146430445244045</id><published>2006-06-27T18:53:00.000-07:00</published><updated>2006-06-27T20:51:20.610-07:00</updated><title type='text'>Contessa, perdono</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/almaviva3.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/320/almaviva3.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A cena se passa no castelo de Águas Claras, arredores de Sevilha. O ano é 1786. Os muitos dias de intensa felicidade ao lado de sua belíssima esposa não impediram o Conde de Almaviva de cortejar outras mulheres, como a sensual Susana, ajudante pessoal da Condessa. Susana é noiva de Figaro, por sua vez, ajudante pessoal do Conde. Figaro, que deve dinheiro na praça, é assediado por uma de suas maiores credoras, Marcelina. Para completar esse imbroglio, corre à boca solta no castelo que o pajem Cherubino, recém entrado na puberdade, anda com o pensamento e os hormônios dirigidos para o corpo da Condessa. Para provar ao enciumado Conde que tudo não passa de um mal-entendido, Figaro arquiteta um plano: a Condessa trocaria de identidade com Susana e, fazendo-se passar pela camareira, convidaria o Conde para um encontro furtivo. A idéia acaba por jogar ainda mais lenha nessa fogueira pois, Figaro agora declara seu amor à Condessa, no papel de Susana, e Cherubino deseja Susana, no lugar da Condessa. A confusão aumenta ainda mais no momento em que, culpados ou não, o Conde surpreende a todos em um dos aposentos do castelo. É o fim do quarto ato, quando nada menos do que treze vozes entoam, em coro, um emocionante pedido de desculpas. Em um primeiro momento Figaro, Susana, Cherubino, Marcelina e outros personagens tentam explicar a situação em que se meteram. Depois, surge a voz da Condessa, implorando para que a todos fosse dada a chance do perdão. Logo depois é a vez do Conde entrar com o seu contessa perdono e conduzir a história e a platéia para um final arrebatador. Antes de explodirem os aplausos, os privilegiados espectadores tornam-se protagonistas de um verdadeiro milagre: doentes saram, tiranos se humanizam, servos libertam, céticos oram, mudos bradam, apáticos transbordam, tímidos brilham. Ninguém passa ileso pela maior declaração de amor da humanidade. Almaviva é uma criação dos barões da Casa Rothschild em associação com os marqueses de Concha e Toro. Produzido no Chile, o vinho teve seu nome inspirado na suprema comédia humana, um dos muitos títulos dados Às Bodas de Figaro, a mais genial ópera do mais genial de todos os compositores, Mozart. Esqueça castas, aromas predominantes, notas wine spectator e robert parker, a história acima é tudo o que você precisa saber para aproveitar ao máximo e em boa companhia uma arrebatadora garrafa de Almaviva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-115146430445244045?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/115146430445244045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=115146430445244045' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115146430445244045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115146430445244045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/06/contessa-perdono.html' title='Contessa, perdono'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-115068851426157092</id><published>2006-06-18T18:56:00.000-07:00</published><updated>2006-06-22T17:21:26.596-07:00</updated><title type='text'>Szeretek Minden Sökét</title><content type='html'>&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/320/tokai.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A língua húngara tem a fama de ser o idioma do diabo. Dizem que a dificuldade em entendê-la vem da falta de parentesco com outras línguas mais conhecidas. Tremenda injustiça. Desde criança meus avós dominavam, não só o húngaro, como também o alemão e, de quebra e a contragosto, o romeno. Isso porque eram gente do campo. De pessoas com mais estudo como Paulo Ronai, as palavras fluiam não só nos idiomas oficiais do império austro-húngaro como também em inglês, francês e no português com que nos foi dado o prazer de conhecer Os Meninos da Rua Paulo. Mas, para visitar a Hungria, não é preciso saber mais do que poucas palavras: csilag quer dizer estrela, ég é céu, bort é vinho, köszenem é obrigado e Isten é Deus. Pra que você precisa saber isso? Pra poder elevar as mãos ao ég e agradecer a Isten o privilégio de beber  um bort Tokai numa noite cheia de csilags. Tokai é o vinho dos reis e o rei dos vinhos. O slogan, de qualidade duvidosa, é de autoria de Luís XIV, o afetado Rei Sol. E não foi apenas o absolutíssimo o único admirador famoso desse que alguns chamam de vinho de sobremesa e outros, mais apropriadamente, de vinho de meditação. Foi com uma taça de Tokai na mão que Rossini vislumbrou Guillermo Tell, Schubert compôs mais de 600 músicas e Goethe criou Fausto. Não é pouca coisa para o vinho que há mais de dez séculos encanta reis, rainhas, príncipes, princesas e, mais recentemente, plebeus que suam para investir quase 90 dólares em uma garrafa de Oremus Aszu 1999 5 puttonyos como a da foto. Para fazer este vinho, os vinicultores, pacientemente, esperaram que as vinhas passassem do ponto e fossem atacadas pelo fungo botrytis cinerea para então colher, manualmente, as uvas que já se encontravam em avançado estágio de maturação. O número de cestas, em húngaro puttonyos, utilizadas na fabricação do vinho varia de três a seis. É isso que determina a concentração do açúcar e, por tabela, do teor alcoólico. São os tais puttonyos que estão indicados lá no rótulo. O fato é que você não precisa de toda essa literatura para degustar um legítimo tokaji. Basta abrir a garrafa e deixar o pensamento fluir em direção ao ég e as csilags e, caso desfrute de uma boa companhia, deixe sair naturalmente um szeretlek: eu te amo. Se estiver sozinho, aproveite e grite: szeretem a szökét, que quer dizer amo as louras. Ou ainda, dependendo da quantidade de puttonyos que você tiver na cabeça, parta logo para um szeretek mindem sökét. Nada menos do que um amo todas as louras.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-115068851426157092?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/115068851426157092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=115068851426157092' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115068851426157092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115068851426157092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/06/szeretek-minden-skt.html' title='Szeretek Minden Sökét'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-115016917843490605</id><published>2006-06-12T19:04:00.000-07:00</published><updated>2006-06-12T20:48:15.236-07:00</updated><title type='text'>Sir Bob e o Cálice Sagrado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/sirrobertpb.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/320/sirrobertpb.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em 1966, Robert Mondavi possuia um sítio com algumas parreiras na Califórnia e, talvez pensando na próxima safra de passas Sun Maid, teve a brilhante idéia de importar sementes européias e produzir vinhos finos na propriedade. A idéia de um vinho made in USA, capaz de concorrer em pé de igualdade com os melhores europeus, ganhou corpo quando a Casa Branca decidiu que somente seriam servidos nos banquetes oficiais pelas embaixadas ao redor do mundo o tal vinho da casa. Da Casa Branca. Com o aval de Mr. President, o vinho norte-americano não ganhou o mundo, é verdade, mas conquistou um mercado muito maior: os Estados Unidos. E Robert Mondavi se tornou a maior referência no assunto, com pinta de astro de Hollywood. Quando visitam a vinícola Mondavi, turistas de todas as partes daquele país entram em frenesi diante de uma garrafa de Opus One e esperam pela aparição de Our Bob como se faz pelo Papa na Praça São Pedro. E aí entra o cálice sagrado. No velho continente, a família Riedel, tradicional fabricante dos cristais de altíssima qualidade da Bohemia, dizia ter as melhores taças de vinho de todo o planeta. Só que poucos sabiam disso. Não que não fosse verdade, podia até ser. Mas faltava aquilo que aquele senhor bronzeado pelo sol da Califórnia tinha de sobra: marketing. Com toda sua praticidade norte-americana, Mr Mondavi não estava nem aí para taças e muito menos de cristal. Mas quis o destino que, onze gerações depois, os cristais Riedel fizessem a fama em todo o mundo graças a um legítimo representante do povo que toma café em copo de isopor. Foi num encontro entre Georg Riedel e Robert Mondavi que o austríaco propôs ao norte-americano um teste de degustação às cegas. Serviram então a Big Bob, taças aparentemente iguais de vinhos aparentemente diferentes. Old Bob provou de todas e, no fim, levantando uma das taças declarou confiante: este é o meu vinho. Estava certo. Aquele realmente era um legítimo Opus One. Como todos os outros que foram servidos no teste. A diferença estava nas taças. A Riedel era aquela que Sir Bob tinha nas mãos. Resultado: naquele mesmo dia, todos os copos da Robert Mondavi Winery foram substituídos por taças Riedel. Pouco tempo depois, as taças com o erre estilizado na base ganhavam o mundo e, by appointment to his majesty the king of napa valley, preços entre singelos US$ 10 e estratosféricos US$ 160. Each. Dizem que um dos grandes vendedores de taças Riedel atualmente é a rede de joalherias Tiffany´s. Faz todo o sentido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-115016917843490605?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/115016917843490605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=115016917843490605' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115016917843490605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/115016917843490605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/06/sir-bob-e-o-clice-sagrado.html' title='Sir Bob e o Cálice Sagrado'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-114625561114668785</id><published>2006-04-28T11:24:00.000-07:00</published><updated>2006-04-29T18:17:59.643-07:00</updated><title type='text'>Sobre o que se leva dessa vida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/rolhas.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/rolhas.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O sobreiro é árvore sábia, longeva e generosa, como seus conterrâneos ibéricos. Vive entre 150 e 200 anos numa região privilegiada do planeta e é o grande fornecedor da cortiça, material ideal para a conservação e a maturação do vinho. Durante os quase 2 séculos de vida de um sobreiro são feitas 16 extrações da casca, sempre de 9 em 9 anos. Nas duas primeiras, o material ainda não está pronto para uso. Para a fabricação de rolhas, vale a partir da terceira retirada, quando o sobreiro já tem por volta de 30 anos de idade. Pelas marcas deixadas no tronco, o sábio agricultor conhece, não apenas a idade e a quantidade de extrações, mas a vida de cada sobreiro. Há séculos, a técnica de retirada é feita da mesma forma e grandes vinhos se tornaram ainda maiores graças à rolha de cortiça. Recentemente chegaram ao mercado a rolha sintética de borracha e os vinhos com tampa de rosca. Consumismo vão. Estas alternativas podem até conservar o vinho com razoável honestidade, mas não contam histórias. Até o momento em que está na garrafa, uma rolha cumpre com dignidade a missão de conservar o valor da bebida. Uma vez aberto o vinho, a rolha muda de função e passa a contar uma história. A história de quem viveu aquele momento. A sua história. Por isso, o sábio não mede sua vida em dias, meses ou anos, mas em rolhas. Por isso, o sábio não mede sua riqueza pelo número de garrafas que repousam em sua adega, mas no número de rolhas que já passaram pelas suas mãos. Pequenos cilindros de cortiça que registraram, cada qual em seu momento, diferentes sentimentos, sensações, pensamentos, paixões, encontros, desencontros, divagações, prazeres, inspirações ou, em apenas uma palavra, experiências. Passagens da vida que tiveram por testemunha uma garrafa de vinho geralmente são experiências que vale a pena lembrar e guardar. Não por acaso, disse o maior de todos os sábios, aquele nascido em terra de grandes sobreiros, que fingia-se poeta mesmo o sendo e para quem tudo valia a pena não sendo a alma pequena: " A vida é boa, mas melhor é o vinho."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-114625561114668785?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/114625561114668785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=114625561114668785' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114625561114668785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114625561114668785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/04/sobre-o-que-se-leva-dessa-vida.html' title='Sobre o que se leva dessa vida'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-114547562570327578</id><published>2006-04-19T12:03:00.001-07:00</published><updated>2006-04-19T13:42:07.016-07:00</updated><title type='text'>Allons, enfants!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/allons.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/allons.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nunca deixe de ter seu vinho preferido sempre perto de você. A falta de uma simples garrafa ao alcance das mãos tem o poder de arruinar um império. Que o diga Napoleão Bonaparte. Desde que deixou a casa dos pais, na Córsega, o futuro imperador da França sempre manteve perto de si uma garrafa do vinho de sua terra natal. Durante a estada na região da Borgonha, o então oficial de artilharia Bonaparte conheceu o tinto Chambertin e se tornou um fã incondicional. A partir daí, alistou em sua dieta militar o tinto encorpado produzido na comuna de Gevrey-Chambertin, entre Beaune e Dijon. Preferia degustar o vinho no front. Longe da pompa e das circunstâncias dos banquetes oficiais. Para essas últimas ocasiões, e para as noites em companhia de sua Josefina, preferia o champagne: " merecido nas vitórias, necessário nas derrotas". Não à toa, a Casa Möet &amp;amp; Chandon batizou seus bruts com a palavra imperial. Conta-se que Napoleão também foi um grande apreciador de cognac. Política. O soldado gostava mesmo era de vinho e tinto. Na hora do rancho, sem frescuras, comia com as mãos e esfregava o pão no molho que sobrava no fundo do prato, sempre na companhia de meia garrafa de Chambertin que, fiel aos hábitos e infância, diluia com um pouco de água. Para ocupar o Egito, levou uma provisão tão grande da bebida que, ao retornar vitorioso com várias caixas, primeiro elogiou a resistência de seu vinho, depois, de seus exércitos. Quando invadiu a Rússia, sabendo que a batalha ali era dura, aumentou o estoque. Com uma taça na mão, celebrou a vitória em Borodin contra as tropas do General Kusov. Na mesma campanha, chegando em Moscou, encontrou uma cidade vazia e em chamas. Como ninguém sobrevive ao inverno russo sem vodka, teve de se retirar às pressas. Na operação, para abater o moral do imperador francês, os cossacos aproveitaram para surrupiar algumas das preciosas caixas de sua adega itinerante. Para Napoleão, não havia campanha militar sem que houvesse vinho. " Sem vinho, sem soldados" . Tivesse levado a sério sua célebre frase, a história seria outra. Uma única vez não houve vinho entre as provisões do invencível exército francês. Na última da batalhas. Waterloo. Exilado na ilha de Santa Helena, o grande imperador morria aos poucos, não envenenado pelos ingleses como se acredita, mas pela falta de pinot noir. Por castigo, só lhe serviam " aqueles vinhos fraquinhos de Bordeaux" .&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-114547562570327578?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/114547562570327578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=114547562570327578' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114547562570327578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114547562570327578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/04/allons-enfants_19.html' title='Allons, enfants!'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-114373731404321544</id><published>2006-03-30T07:24:00.001-08:00</published><updated>2006-03-30T14:00:32.530-08:00</updated><title type='text'>Mea Culpa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/chorey.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/320/chorey.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um grande vinho é aquele que  você, invariavelmente, se arrepende de ter aberto. Fazer o quê? Já estava com a rolha na mão. Só me restava encher a taça e acabar com aquela sensação de vazio que pairava no ar, apesar dos aromas que se anunciavam. Provei. Me arrependi de não ter reservado uma ocasião mais apropriada. Um vinho desses merecia muito mais. No fim da primeira taça ainda tentei recuar, pensei em tampar a garrafa com aquela rolha de borracha em que se tira o ar por sucção, mas seria um sacrilégio ainda maior. Um imperdoável capricho por uma única taça. Parti para a segunda. Me arrependi de não ter por perto família, amigos, imprensa. Terceira taça. Me arrependi de não ter escrito Cem Anos de Solidão, de não ter beijado a menina mais bonita da escola, de não ter assistido à estréia de As Bodas de Fígaro em 1786, de não ter me alistado do lado dos anarquistas na Guerra Civil Espanhola, de não ter me casado mais vezes com a minha mulher. Na quarta taça ainda havia, mais ou menos, metade da garrafa. Me arrependi de não saber quantas taças cabiam em 750 ml, de não ter sido um aluno melhor em matemática, física, biologia, história, geometria descritiva, de não ter feito mestrado nem doutorado. Na quinta taça, que eu não sabia mais se era a quarta ou a sexta, me arrependi profundamente não lembro mais do quê. Restava ainda um pouco de vinho quando me arrependi de não ter previsto uma trilha musical para aquele momento. Um grande vinho merece bem mais que o silêncio respeitoso de um refeitório de mosteiro. Coloquei um cd. A partir daquele momento seríamos três a testemunhar a grandiosidade daquele encontro. Chorey-les-Beaune 97, Edith Piaf e eu. Seríamos três a cantar n&lt;em&gt;on, rien de rien, non, je non me arrepend de rien. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-114373731404321544?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/114373731404321544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=114373731404321544' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114373731404321544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114373731404321544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/03/mea-culpa.html' title='Mea Culpa'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-114307076389686703</id><published>2006-03-21T14:45:00.005-08:00</published><updated>2006-03-27T06:32:49.713-08:00</updated><title type='text'>Madame Pompadour, je presume</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/pompadour.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/pompadour.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Jeanne-Antoinette Poisson, a Madame de Pompadour, foi de longe e de todos os tempos, a mulher mais influente da França. Extremamente culta, inteligente, bela e sedutora, a secretária de ordens e outros assuntos de Luís XV governava Versalhes e os destinos da França com charme, elegância e uma frieza digna de monarca absoluto. Mas a gelada marquesa tinha um ponto fraco: derretia-se toda diante do vinho espumante produzido na região da Champagne. Madame gostava tanto de champagne, e era de tal modo uma entusiasta do vinho que borbulhava pérolas, que serviu de modelo para uma taça criada exclusivamente para se degustar a bebida. A taça, que teve seu desenho inspirado no formato dos seios da marquesa, ficou na moda por séculos até que foi substituída por outra de bojo mais longo e borda afilada, a flute. Esse novo desenho seria mais apropriado para o champagne pois conserva o aroma por mais tempo e permite uma degustação mais, digamos assim, científica do produto. Resultado: guilhotinaram todo o romantismo e hoje há quem tenha pesquisado e descoberto que as bolhas de gás carbônico do chamado perlage são formadas em túbulos com diâmetro de 100 micras e se despreendem a partir do fundo não ao acaso mas sim através de uma fórmula que envolve o número de Weber ( We = 2pRU2 /sigma 10-6-5 "l ) e a Lei de Fick . Cientificidades à parte, fato é que não há mal algum em utilizar a taça original. Afinal, foi necessária uma revolução francesa para que, privilégios outrora exclusivos da realeza como o champagne e os elegantes seios da marquesa, pudessem deixar os salões e alcovas do palácio para, democraticamente, cairem na boca do povo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-114307076389686703?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/114307076389686703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=114307076389686703' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114307076389686703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114307076389686703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/03/madame-pompadour-je-presume.html' title='Madame Pompadour, je presume'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-114254195811168861</id><published>2006-03-16T11:54:00.000-08:00</published><updated>2006-03-21T14:47:35.603-08:00</updated><title type='text'>Beber estrelas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/champagne3.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/champagne3.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/champagne2.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem só de mistérios celestes ocupava-se a mente dos frades da abadia beneditina de Hautvillers, norte da França. Quando misturavam determinados tipos de uvas para produzir o vinho branco da casa, aqueles irmãos notavam com espanto e assombro o incomum espocar de rolhas e o sobrenatural estourar de garrafas na calada da noite, sem que ninguém houvesse entrado na adega. O mistério foi resolvido quando o frade Perignon decidiu experimentar o efervescente conteúdo daquelas garrafas. Provou da primeira. Da segunda. Da terceira. E lá pelas tantas, iluminado, gritou aos confrades a célebre frase " Estou bebendo estrelas!". Assim, reza a lenda, foi inventado o champagne. Endeusado na corte de Luís XV, o vinho espumante foi definido pela não menos borbulhante Madame Pompadour como a única bebida capaz de tornar mais bonita uma mulher. No mesmo ano em que faleceu Luís XIV, o Rei Sol, Don Perignon tomou seu lugar à esquerda do Altíssimo, como aquele que permitiu a pobres mortais o privilégio de beber estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-114254195811168861?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/114254195811168861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=114254195811168861' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114254195811168861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114254195811168861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/03/beber-estrelas.html' title='Beber estrelas'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-114237128086068872</id><published>2006-03-14T09:07:00.001-08:00</published><updated>2006-03-20T07:16:20.683-08:00</updated><title type='text'>Muito além da Taprobana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/chamin??.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/320/chamin%3F%3F.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Foi-se o tempo em que, com o intuito de descobrir as coisas boas da vida, era necessário reunir armas e brasões e aventurar-se pelo mar sem fim, passando por além da Taprobana, ilha que já se chamou Ceilão, hoje Sri Lanka. Aos atuais habitantes da terra de Camões, basta que se cruze o Rio Tejo para dar de cara com os grandes vinhos daquela região. Apenas no breve périplo da medieval cidade de Évora encontram-se nomes de nobre linhagem como os Reguengos de Mosaraz, Herdade do Esporão e o Tinto Velho Rosado Fernandes, ao lado de outros com menos brasões a ostentar como o Chaminé acima que, minutos após a foto, foi flagrado na companhia de um javali numa mesa do Fialho. Que não se iludam os poetas esses fingidores, nobres ou não, os vinhos regionais alentejanos possuem todos a honestidade e a sinceridade rude e cortante das gentes do campo e dos personagens de Saramago. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-114237128086068872?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/114237128086068872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=114237128086068872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114237128086068872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114237128086068872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/03/muito-alm-da-taprobana_14.html' title='Muito além da Taprobana'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23817945.post-114200510117961369</id><published>2006-03-10T07:38:00.000-08:00</published><updated>2006-03-26T17:27:54.013-08:00</updated><title type='text'>Alentejanas, pois</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/1600/pernas%201_edited.4.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6827/2464/400/pernas%201_edited.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Se algum dia desses, durante um jantar elegante, elogiarem as pernas do vinho que está sendo servido, não vá fazer a besteira de olhar para baixo da mesa para conferir. Simplesmente gire a taça e concorde com seu interlocutor com o mesmo ar de quem se encontra duas taças à frente e acima da humanidade. Quando gira na taça, em movimento circular e ritmado, o líquido deixa ligeiras marcas transparentes, em forma de pequenos arcos, ao redor do cristal. Ao fenômeno, causado pelo álcool, dá-se o nome de arquetes, lágrimas ou pernas. A palavra arquetes, não há dúvidas, vem do desenho semelhante a pequenos arcos. Pura afetação. O líquido que fica depositado sobre o cristal escorre lentamente como pequenas lágrimas. Um amigo meu que foi assistir Brokeback Mountain e até hoje não saiu do cinema adora essa definição. Cá entre nós, um bom vinho deve ter mesmo é belas pernas. Longilíneas, vigorosas e bem torneadas. Como as que se encontram na foto acima, em momento de meditação, em dúvida se convida o alentejano à sua frente para bailar o gira ou rodopiar o fado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23817945-114200510117961369?l=pisandoemuvas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/feeds/114200510117961369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23817945&amp;postID=114200510117961369' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114200510117961369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23817945/posts/default/114200510117961369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandoemuvas.blogspot.com/2006/03/alentejanas-pois.html' title='Alentejanas, pois'/><author><name>Eduardo Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04541671744682525496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zcmQrRpBp_g/TO7FWrV-ywI/AAAAAAAAAN4/Kss02quzvLE/S220/Re-exposure%2Bof%2Bfotoperfil%2Bcopy.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
